Pular para o conteúdo principal

Apresentação

  Olá, FisioIntelectuais! Aqui você encontra conteúdos de atualização, aprimoramento de habilidades, interação entre profissionais e domínio entre teoria e prática na área de Fisioterapia Intensiva 🐵

Regulagem inicial do ventilador mecânico

 Os ajustes de alarmes e de parâmetros ventilatórios devem ser individualizados e modulados de acordo com a doença e o estado do paciente desde a admissão até o desfecho clínico. Porém, segundo recomendações do Consenso Brasileiro de Ventilação Mecânica, ao admitir um paciente ou após a IOT (intubação orotraqueal), alguns parâmetros podem ser considerados como base até que se estabeleça a monitorização de sinais vitais, exames sejam colhidos e plano terapêutico seja traçado. 

Ao admitir qualquer paciente, recomenda-se utilizar a FiO2 (fração inspirada de oxigênio) em 100%, e assim que sair os primeiros resultados de gasometria arterial, esse valor deve ser ajustado para o menor possível com SpO2 entre 93 e 97%.

Preconiza-se o modo ventilatório de escolha inicial controlado a volume (VCV) ou a pressão (PCV) para garantir volume corrente (VC) de 6 mL/Kg de peso predito. Não é recomendado inicial a VM com modos espontâneos. 

A frequência respiratória (FR) deve ser programada entre 12 e 16, pois é a faixa de valor de FR fisiológica de uma pessoa em repouso. Contudo, esses valores devem ser modulados após os resultados da gasometria arterial para evitar hipercapnia ou hipocapnia. 

A sensibilidade deve ser ajustada para evitar auto-disparo, geralmente esse valor fica entre 2 e 3.

A PEEP (pressão expiratória positiva final) deve ser ajustada entre 3 e 5 cmH2O. Porém, em situações específicas (como SDRA e Covid-19) esse valor inicial pode ser maior. 

Sempre utilizar umidificadores e aquecedores de ar, seja de maneira ativa ou passiva.

Após 30 minutos dos ajustes iniciais, é recomendada a coleta de um exame de gasometria arterial e proceder com os ajustes necessários levando em conta a fisiologia e o mecanismo fisiopatológico do distúrbio que motivou a necessidade de VM e as doenças associadas.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

TRALI - Lesão Pulmonar Aguda Associada à Transfusão

 Você já ouvir falar de TRALI ou já atendeu algum paciente com essa lesão? Leia este artigo e saiba mais sobre essa condição relativamente rara, mas com alto índice de mortalidade. A lesão pulmonar associada à transfusão, ou do inglês TRALI , foi relatada pela primeira vez em 1985. Ela consiste numa séria complicação associada à transfusão de sangue total, plasma fresco congelado, concentrado de hemácias, concentrado de plaquetas e granulócitos coletados por aférese.  A TRALI é caracterizada por insuficiência respiratória aguda, edema pulmonar bilateral e hipoxemia severa, não estando associada a nenhum evento cardíaco, e ocorre durante a transfusão ou dentro de 6h após o seu término.  É considerada rara, pois ocorre na razão de 1 em 5 mil unidades transfundidas e de 1 em 625 pacientes transfundidos. Entretanto, é a maior causa de morbidade e mortalidade associada a transfusão.  A exata fisiopatologia não é totalmente conhecida, mas a teoria tradicional sugere que...

Capnografia na RCP

Recomendação atual durante todo o processo de RCP (ressuscitação cardiopulmonar) em pacientes intubados, tem como objetivo avaliar o correto posicionamento do tubo, a qualidade da RCP e detectar o retorno da circulação espontânea, por avaliação contínua do dióxido de carbono ao final da expiração. Valores mais baixos de gás carbônico no final da expiração (EtCO2) (< 10 mmHg) são correlacionados a compressões torácicas ineficazes, baixo débito cardíaco ou nova PCR (parada cardiorrespiratória). Valores > 40 mmHg estão associados ao retorno da circulação espontânea e variabilidade espontânea na pressão arterial. Baixos valores após 20 minutos de PCR indicam baixa probabilidade de retorno da circulação espontânea. 

Você já usou o ventilômetro?

É um aparelho portátil que mede volumes e capacidades pulmonares. Os principais parâmetros que podem ser mensurados são: Volume corrente: quantidade de ar que entra e sai do sistema respiratório em respiração normal e tranquila. Valores inferiores a 5 mL/kg estão associados a piora da troca gasosa e a hipoventilação alveolar. Volume minuto: produto do volume corrente pela frequência respiratória. Sua faixa de normalidade está entre 6-8 L/min, e valores acima de 10 L/min são indicativos de aumento na demanda ventilatória. Índice de respiração rápida e superficial (IRRS): é calculado pela relação FR/VC em litros. Valores acima de 105 indicam alta probabilidade de insucesso no desmame de VM. Capacidade vital: volume máximo que um indivíduo consegue mobilizar. Valores acima de 45 mL/kg são considerados dentro da faixa de normalidade; abaixo de 15 mL/kg indicam prejuízo na troca gasosa e necessidade de algum tipo de suporte ventilatório.